Qual deveria ser a verdadeira postura de um cristão? Seria alguém bitolado? Alguém que apenas fala de Cristo? Alguém que segue uma doutrina? Ou alguém que busca a Deus e procura viver seus ensinamentos e sonhos?
Esses questionamentos deveriam nos levar a uma única e profunda reflexão: será que quem me vê consegue enxergar Cristo em mim? Sim, o Cristo que, sendo Deus, assumiu nossa humanidade e foi semelhante a nós em tudo, exceto no pecado.
Às vezes penso que há muitos cristãos apenas de aparência pessoas com discursos provocativos, mas sem testemunho. Outros se colocam como juízes do bom senso, apontando o que é certo e errado, vestindo uma capa de perfeição, quando, na verdade, escondem uma vida de hipocrisia. Exigem dos outros, impõem fardos pesados, mas não os carregam consigo.
Nossa luta hoje não é apenas contra o demônio que nos seduz com falsos amores e enganos, mas também contra atitudes humanas que ferem o próximo: julgamentos, pedras lançadas, calúnias, fofocas e uma constante recusa em reconhecer a própria fraqueza. Falta-nos coragem de assumir nossa humanidade. Repetimos o erro de Adão, transferindo toda a culpa ao demônio por aquilo que escolhemos fazer.
Não defendo aqui o inimigo de Deus. Mas lembro que somos capazes de fazer o mal e muitas vezes o fazemos por inveja, vingança, orgulho, intriga e divisão. Coisas que entristecem o coração de Deus.
Hoje, mais do que julgar, precisamos acolher. Em vez de apenas doutrinar, é preciso conhecer o outro, aprender com sua história. Penso que, se Cristo viesse novamente em nossa carne, muitos de nós o crucificaríamos outra vez. Afinal, nem mesmo os discípulos compreenderam totalmente quem Ele era. E muitos “cristãos” de hoje também não O compreenderiam, nem reconheceriam Seu reinado.
Lembremo-nos: Lúcifer, o anjo de luz, foi seduzido pela soberba e quis ser maior que Deus. Foi banido do céu com os que o seguiram. Também nós, quando nos deixamos dominar pelo orgulho, vaidade, prepotência e arrogância, nos afastamos da presença de Deus que se revela no amor ao próximo, no perdão, no serviço e na entrega da vida pelos irmãos.
Ser cristão não é saber versículos decorados, nem apenas falar de Cristo. É ser imagem d’Ele e reconhecê-Lo no irmão. É lutar, todos os dias, contra nossos maus hábitos, pois são eles que nos afastam do Senhor.
Tenha fé. Tenha coragem. Seja um outro Cristo no tempo presente.


