A Quaresma é o tempo litúrgico de conversão que a Igreja propõe como preparação para a grande celebração da Páscoa. Este itinerário sagrado tem o seu início oficial na Quarta-feira de Cinzas, um dia marcado pelo simbolismo da humildade e da consciência da nossa transitoriedade. A partir desse dia, os fiéis são convidados a percorrer um caminho de quarenta dias — número que remete aos quarenta anos do povo de Israel no deserto e aos quarenta dias de jejum de Jesus — voltado à oração, ao jejum e à caridade. É um período de “retirada” espiritual, onde a liturgia se torna mais sóbria, omitindo o “Aleluia” e o “Glória”, para que o foco total esteja na penitência e na escuta da Palavra de Deus.
O itinerário quaresmal é pontuado por seis domingos, cada um com uma temática específica que conduz o fiel gradualmente ao mistério pascal. Os cinco primeiros domingos da Quaresma formam o corpo desse tempo de reflexão e mudança de vida, enquanto o sexto domingo, conhecido como Domingo de Ramos, marca o início da Semana Santa e a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Durante esses domingos, as leituras bíblicas oferecem um roteiro de escrutínio e fé, apresentando temas como as tentações no deserto, a transfiguração e os encontros de Jesus que geram vida nova. Esse percurso não termina na dor da cruz, mas se estende até a manhã da Quinta-feira Santa, quando, com a Missa da Ceia do Senhor, encerra-se o tempo quaresmal e inicia-se o Tríduo Pascal, o ápice de todo o ano litúrgico onde se celebra a vitória da vida sobre a morte.


